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A Construcola não competia na gôndola. Competia na pilha

Argamassa não fica exposta em prateleira: fica empilhada no fundo da loja. Foi essa constatação que definiu o desenho da embalagem inteira.

Construcola · Argamassas e materiais para construção civil · 2021

Fizemos rebranding, identidade visual, design de embalagem, sistema de linha e ponto de venda.

Imagem de capa do case Construcola: A Construcola não competia na gôndola. Competia na pilha

O contexto

A Construcola fabrica argamassas e trabalha em parceria estratégica com a Polimix, fornecedora de concreto e agregados. É um setor em que o produto é tecnicamente sério e a comunicação, historicamente, não é: saco de argamassa costuma ser colorido, ruidoso e igual ao do concorrente ao lado.

O pedido que chegou foi reinventar a embalagem.

O problema real

Antes de desenhar, a pergunta: onde essa embalagem é realmente vista?

Argamassa não vive numa gôndola de supermercado, de frente para quem passa. Vive empilhada — no depósito da loja de material de construção, no fundo do corredor, deitada, uma sobre a outra. Quem escolhe é o lojista que precisa achar rápido, ou o pedreiro que sabe o que quer e não vai ler um parágrafo técnico.

A face da frente, que é onde todo mundo investe o design, é a face que ninguém vê. E a lateral, que é a única visível numa pilha, é onde historicamente não se coloca nada.

Havia ainda um segundo problema, de outra ordem. A marca tinha um ativo forte — o elefante, que diz aderência e força sem precisar explicar — dentro de uma construção envelhecida. Trocar o elefante seria jogar fora reconhecimento acumulado. Manter tudo como estava seria continuar parecendo uma marca de outra década.

O que fizemos

A marca: manter o elefante, refazer tudo em volta. O símbolo permaneceu porque o reconhecimento dele era patrimônio da empresa. O que mudou foi o tratamento — o elefante saiu da ilustração chapada de perfil e passou a ser tratado com volume e textura, de frente, encarando quem olha. O logotipo perdeu peso, a assinatura saiu do caixa-alta e a marca deixou de gritar para passar a afirmar.

Marca anterior da Construcola: elefante em ilustração chapada cinza, de perfil, ao lado do logotipo em caixa-alta pesada e da assinatura 'A ARGAMASSA QUE VOCÊ CONFIA' toda em maiúsculas. Marca nova da Construcola: o mesmo elefante, agora tratado com volume e textura e posicionado de frente, ao lado do logotipo em grotesca mais leve e da assinatura 'A argamassa que você confia' em caixa mista.

A embalagem: virar o layout noventa graus. Se a lateral é a face visível, a lateral vira a fachada. Cada produto ganhou uma faixa de cor própria correndo na vertical, com o nome aplicado ao longo dela — de modo que a pilha inteira se lê de lado, sem desempilhar nada.

Sacos de argamassa Construcola empilhados: cada lateral traz uma faixa de cor diferente com o nome do produto — ACI em azul, ACIII em roxo, Super Cola em laranja, Porcelanato Interno em azul-escuro e ACII em amarelo — legíveis sem tirar nenhum saco da pilha.

Essa é a decisão inteira do projeto numa imagem. Cor identifica a linha, o nome se lê na altura dos olhos de quem está em pé diante da pilha, e a escolha acontece em segundos.

Na face principal, a foto resolve o que a sigla não resolve. ACI, ACII, ACIII, Flex: quem não é do ramo não sabe a diferença, e boa parte de quem compra não é do ramo. Cada saco passou a mostrar, num painel vertical, o ambiente pronto em que aquele produto se aplica — porcelanato, piscina, fachada, área interna. A sigla continua lá para quem a conhece; a foto responde para quem não conhece.

Família de embalagens da Construcola alinhada: sacos em cinza-escuro, cada um com uma faixa de cor distinta e um painel vertical fotográfico mostrando o ambiente acabado a que o produto se destina. Saco de ACIII Flex da Construcola visto de frente: marca no topo, sigla do produto em corpo grande, faixa de cor vertical e foto do ambiente de aplicação ocupando a metade direita. Saco de Super Cola da Construcola com a mesma arquitetura vertical, faixa de cor própria e fotografia do ambiente de aplicação.

O sistema também organiza a linha para dentro: produto novo entra escolhendo uma cor e uma fotografia, sem redesenhar embalagem. E a assinatura da Polimix aparece no rodapé de cada saco, ligando a Construcola ao grupo sem disputar espaço com ela.

O resultado

Assim que a embalagem nova foi lançada, a Construcola começou a distribuir em mais lojas e em mais regiões do Brasil.

Vale olhar essa frase devagar, porque ela é a confirmação do diagnóstico. Ampliar distribuição significa entrar em depósitos onde ninguém da empresa está presente para explicar nada — lojas em que o produto precisa se apresentar sozinho, no meio de uma pilha, para um lojista que nunca ouviu falar da marca. Uma embalagem desenhada exatamente para esse momento é o que torna a expansão possível de sustentar.

E há um ganho que não aparece em prateleira nenhuma: a marca subiu de patamar na cabeça de quem revende. Uma empresa que se apresenta assim é tratada de outro jeito pelo lojista, pelo fornecedor e pelo concorrente — e isso muda a conversa comercial antes de ela começar.

Se o seu produto é bom e a embalagem dele está resolvendo o problema errado, é o mesmo caso. Conte o seu.

Vamos conversar