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Ninguém escolhe piso por código de produto. Escolhe pelo lugar que quer criar

Um catálogo de revestimentos é uma lista técnica. Na Revestir 2022, a Elizabeth organizou o dela por lugar — e a decisão ficou mais fácil de tomar em pé, no corredor.

Elizabeth · Revestimentos cerâmicos · 2022

Fizemos identidade visual da presença, conceito e key visual, comunicação do estande, vídeos de produto, buffet e promotores e operação durante a feira.

Imagem de capa do case Elizabeth: Ninguém escolhe piso por código de produto. Escolhe pelo lugar que quer criar

O contexto

A Expo Revestir é a feira do setor de revestimentos no Brasil — o lugar onde arquiteto, lojista e especificador vão ver o que vai ser lançado no ano. A Elizabeth expõe ali com um estande grande, de dois pavimentos, num corredor em que todo concorrente também chega grande.

A edição de 2022 não era uma edição qualquer. Foi a primeira Revestir depois da pandemia: o setor inteiro se reencontrando num pavilhão, com as pessoas ainda de máscara. E foi ali que a Elizabeth escolheu apresentar tudo o que tinha de novo ao mesmo tempo — marca nova, sistema de design novo, produtos novos.

O objetivo

Apresentar a nova Elizabeth ao mercado inteiro, de uma vez só.

Esse é o tipo de objetivo que não se mede em lead. O que estava em jogo era percepção: fazer com que um setor voltando a se ver ao vivo depois de dois anos saísse do pavilhão com uma ideia nova do que a Elizabeth é. Um lançamento de marca só acontece de verdade quando o mercado reconhece — e não havia, naquele ano, lugar com mais mercado reunido no mesmo lugar.

Isso muda o que o estande tinha de fazer. Ele não era o cenário onde a marca nova ia aparecer: era o próprio ato de lançamento.

O problema real

Revestimento cerâmico é vendido como especificação: formato, acabamento, retificado ou não, código. Faz sentido para quem fabrica, e não faz nenhum para quem escolhe.

Porque ninguém quer um porcelanato 90×90 acetinado. As pessoas querem uma cozinha que pareça mais clara, uma varanda que lembre praia, uma fachada que aguente a rua. A decisão é sobre o lugar que se quer criar — e o catálogo, organizado por engenharia, obriga o cliente a fazer sozinho a tradução entre o que ele sente e o que a indústria nomeia.

Num estande de feira isso vira um problema físico. São três dias, milhares de pessoas passando, e ninguém vai ler ficha técnica em pé no corredor. Se a organização do espaço não fizer a tradução, o vendedor faz — uma pessoa por vez, o que não escala numa feira desse tamanho.

O que fizemos

Um guarda-chuva chamado Caminhos. No lugar de organizar por linha de produto, o estande se organizou por percurso. A parede de abertura declara: "Combina com cidade. Combina com campo. Combina com praia. Combina com Brasil. Combina com tudo que combina com você."

Parede principal do estande da Elizabeth com o título Caminhos e a frase 'Combina com cidade. Combina com campo. Combina com praia. Combina com Brasil', abaixo da qual três placas nomeiam as zonas Vias, Terras e Brisas, com amostras de revestimento montadas na parede.

Três mundos, e cada um é um lugar. Vias é a cidade — o concreto, o urbano, o que aguenta trânsito. Terras é o campo — o barro, a madeira, o que tem textura. Brisas é o litoral — os claros, os mármores, o que refresca. Cada zona tem sua cor, seu nome e sua parede de amostras, e o visitante escolhe pela sensação antes de chegar ao código.

É uma inversão simples e ela muda a conversa: em vez de o vendedor explicar o catálogo, o espaço já entregou a pergunta certa — que lugar você quer fazer?

Vista em ângulo das zonas Terras e Brisas: painéis de revestimento em tons terrosos e claros montados na parede, com placas de identificação coloridas acima e visitantes examinando as amostras.

A marca aparece grande e o grafismo faz o resto. O logotipo da Elizabeth em letras iluminadas em relevo, e ao lado um painel de listras verticais coloridas que atravessa o estande inteiro — nas paredes, nos banners de produto, na sinalização. É o elemento que amarra zonas de cores diferentes num sistema só.

Logotipo Elizabeth em letras brancas iluminadas em relevo sobre parede clara, ao lado de um painel horizontal com listras verticais em várias cores, o grafismo do estande.

A arquitetura não é nossa — e é a única coisa que não é. O volume de dois pavimentos, o portal em arco, as aletas verticais em verde-sálvia, o forro de madeira e a vegetação suspensa sob a estrutura de luz são projeto de estande, a única frente deste case que não passou pela Aldeia. Num pavilhão em que todo mundo chega grande, ela dá ao espaço o que tamanho nenhum dá: temperatura.

Fachada do estande da Elizabeth na Expo Revestir 2022: volume de dois pavimentos com portal em arco, aletas verticais verde-sálvia, forro de madeira, vegetação pendente e o logotipo iluminado em duas faces. Pavimento superior do estande visto de baixo: plantas pendentes entre tubos de luz sob o forro de madeira, e banners verticais identificando os produtos Urbano e Catedral com o grafismo de listras.

Dentro dela, o resto inteiro foi nosso. Identidade visual da presença, conceito, key visual, comunicação de todas as zonas, os vídeos de produto que rodam nos painéis, o buffet e os promotores que recebem quem entra. Numa feira, essas frentes costumam estar espalhadas por três ou quatro fornecedores que não conversam entre si — e o visitante percebe, porque o que ele lê na parede não é o que o promotor diz quando ele pergunta. Aqui era tudo a mesma cabeça, o que num lançamento de marca deixa de ser conveniência e vira condição: não dá para apresentar uma marca nova falando com três vozes.

E o produto é nomeado como lugar, não como referência. Urbano, Catedral, Alvorada, Itajaí, Mier. Nomes que já dizem a que mundo pertencem, para que a lógica das zonas continue funcionando depois que o visitante sai da feira e vai procurar aquilo na loja.

O que ficou

A marca nova encontrou o mercado no momento exato em que o mercado voltou a se encontrar. Não é um resultado que caiba num gráfico, e é justamente por isso que o palco importava tanto: um relançamento diluído em vários pontos de contato ao longo de um ano teria custado mais e concentrado menos.

E ficou a forma de ler o portfólio. Vias, Terras e Brisas não são nomes de campanha — são uma maneira de organizar o catálogo que continua funcionando depois que o estande é desmontado, na loja e na conversa de venda, porque o nome de cada produto foi escolhido para carregar o mundo a que ele pertence. Uma feira acaba em três dias. Uma chave de leitura, não.

Se o seu catálogo está organizado do jeito que a fábrica entende e não do jeito que o cliente decide, é o mesmo problema. Conte o seu caso.

Vamos conversar